quinta-feira, 24 de setembro de 2009

The one that got away

Já ouvi muitas vezes dizer que não há amor/paixão como o/a primeiro/a. Sinto-me inclinado a concordar...
Há uma pessoa que eu considero a minha primeira paixão. Foi ela que primeiro me despertou sentimentos e interesse para outra coisa que não uma bola, livros e outras coisas de que se gosta enquanto criança. Passei o fim da infância e toda a adolescência a gostar desta pessoa.
Não andávamos na mesma escola. Nem sequer morávamos na mesma cidade. Talvez o contacto pouco frequente tenha contribuído grandemente para a manutenção desta atracção por tantos anos. Mas, o que era certo era que, um miúdo normalmente pragmático, racional e eloquente (sim, eu tenho a mania que sou bom) ficava completamente parvo na presença dela. Tentei ser correspondido de todas as formas que conhecia. Quando parecia que as coisas estavam a correr nesse sentido ela recuava e o castelo de cartas caía. Mas ela sabia recuar... ou não! De cada vez que ela me tirava o tapete, amparava-me com a outra mão e não me deixava cair. Assim, eu ficava sempre ali a acreditar que poderia ser... talvez, um dia...
O que isto provocou, de uma forma mais directa (o resto deixo para, daqui a muitos anos, ser-me revelado no divã de algum psicanalista), foi que, na adolescência, nunca fui daqueles miúdos namoradeiros. Nunca tive aquelas experiências típicas dessa idade de namoricos. No entanto, também aprendi a viver com amores não correspondidos, a aproveitar o pouco que temos e a lidar com pessoas que nos mantêm por perto para lhes afagar o ego. Estou a ser injusto! Ela, de vez em quando, bem me tentava abrir os olhos. Mas eu era crente e achava que isto de ser insistente e sofrer por amor era romântico. Caramba! Éramos novos! Mesmo depois de tantos anos, ainda se acerta muito pouco em matéria de amores. E entretanto já reparei que não sou o único a procurar o óptimo. O óptimo é inimigo do bom. E, na altura, ela parecia-me o óptimo para mim. As outras não me interessavam. Parecia-me que estava a comprometer os meus desejos e os meus princípios. Eu sentia-me quase preenchido... Quase tinha o óptimo! Para que quereria o bom? Claro que eu não tinha nada... Talvez até tenha sido forma de me proteger... Não sei! (quando for ao psicanalista ele explica-me... lol)
De qualquer maneira, sempre tivemos uma amizade gira. Gostávamos um do outro e davamo-nos bem. Eu queria mais, ela não. Era no que discordávamos. A vida foi-nos afastando até ao ponto de apenas telefonarmos um ao outro para desejar feliz aniversário, feliz natal e pouco mais.
Recentemente, graças às novas tecnologias, voltamos a estar mais em contacto. Parece que sempre nos mantivemos amigos próximos, que não há uma grande quantidade de anos em que praticamente não nos falamos.
Embora não digue que algo não poderá acontecer, considero que os meus sentimentos por ela estão ultrapassados mas não posso deixar de vê-al como aquela mulher que me escapou. Não leiam isto como algo sexista porque não é. É apenas a cicatriz de um sentimento forte que deixou qualquer coisa. Se foi por ser a primeira, não sei. Não terá sido o melhor, definitivamente... Mas sei que é alguém que recordo de forma especial.

15 comentários:

Sofizita disse...

Há pessoas que serão especiais para sempre.

Pochinha disse...

Não posso deixar de comentar. Porque me revejo nessas palavras. A diferença é que ainda sou muito nova, e portanto não tenho tanto desorendimento. Mas embora não saiba bem o que dizer disso, gostei de ler. Gostei mesmo.

bj

Chocolate disse...

Há pessoas que nos marcam de uma forma tão especial, que nem os anos que possivelmente nos separam existem... Quando nos reencontramos é como se esses anos nunca existissem!

K,

Icon disse...

Sofizita: nem mais!

Pochinha: fazes muito bem em comentar!
obrigado pelas palavras. sabe sempre bem ouvir que gostam de nos ler!
quanto à tua inexperiência... n tenhas pressa. a tua, como todas, é uma idade bonita com coisas próprias para serem vividas. eu posso dizer que tive uma adolescência muito feliz. adorei-a!
beijo

chocolate: sinto isso especialmente com os meus amigos. sabe tão bem!
bj grande

SMC disse...

Um romântico este rapaz! É qualidade que aprecio, porque será? Parabéns pelo post, gostei muito, anima-te!

dirce sofia disse...

como eu te compreendo :)

Icon disse...

SMC: 1 romântico!!! nem sei o que diga a isso... se calhar o melhor é nem comentar... sou mesmo?
Obrigado por dizeres que gostaste do post. Isso sabe muito bem!

dirce sofia: como me compreendes? queres expandir o teu comentário? :D

Elma disse...

Humm... Agora que penso nisso, acho que nunca vivi um amor não correspondido :s

Vá, só podemos começar a desesperar por romatiquísses quando chegares aos 30 :D

Felizmente para mim falta-me mais que tu :P Senão quem estava aqui a pensar na vida era eu...

Kikas disse...

marcou-te.. ainda por cima na adolescência, muitos sentimentos ficam retidos desse período e, por vezes, são reacendidos mais tarde. estou a passar por esse período estúpido e acho, sinceramente, que tenho razão. e agora quero explicar qualquer coisa que não consigo, por isso.. fim do comentário mais estúpido que a adolescência.

Icon disse...

Elma: tu és mesmo boa!!!
e eu n tou a desesperar por romantiquices, acho eu!!

kikas: n sei se alguma coisa foi reacendida. acho que não! é apenas algo que gosto de recordar

Marina disse...

Há pessoas assim, que passam nas nossas vidas e que deixam marcas para sempre...
As vezes pensamos como seria a nossa vida sem elas.
Sera que o tempo que passou foi apenas perdido ou sera que alguma coisa aprendemos?

Eu nunca chegarei a saber que eu nao gosto de psicanalistas! :p

Beijinhos e boa semana

profpardal disse...

Tão lindo!
Hoje tb escrevi sobre o amor. O que somos nós sem amor?

Lálálá... I want to wake up with you... lálálá baby...

Icon disse...

Marina: nunca será tempo perdido! aprendemos sempre qq coisa! pelo menos, eu aprendi
beijo

profpardal:
obrigado!
sem amor diria que n somos nada... nem que seja o amor pelos amigos e família ;)

Ana Bárbara disse...

conheço esta história :P

Icon disse...

AB: conheces?!?!?! mas eu nunca ta contei!!!!