sábado, 12 de dezembro de 2009

Christmas...

always gets me down!
...desde que descobri que o pai natal não passava de uma mentira colectiva, contada pelos adultos para os meninos se portarem bem durante o ano...
Tinha eu 9 anos. Deveria andar na quarta classe... sim, devia ser na quarta! Íamos sempre fazer a consoada a casa da minha avó paterna. Nessa noite, chegamos a casa depois da meia noite. Como de costume, entrei em casa apenas com um sapato. O outro tinha ficado em casa da minha avó para o Pai Natal se lembrar de mim ali também. Manquei até à porta da sala e, ainda sem ver, disse para o meu irmão:
-P.! As prendas já cá estão! - e fui a correr buscá-lo!
Entrei na sala, comecei a abrir as prendas. Os três restantes elementos da família fizeram o mesmo. À medida que olhava em volta, não sei bem porquê, comecei a aperceber-me que andava a ser enganado. Fui deitar-me! Ainda dormia com o meu irmão! Foi o último ano em que dormimos juntos. A partir daí, cada um foi para o seu quarto. Passariam muitos anos até voltar a partilhar a cama com alguém.

No dia a seguir, antes do almoço, em casa da minha avó, descobri que o Pai Natal também lá havia estado. Ao abrir as prendas agradeci à minha avó, ao meu avô, à minha tia e à minha tia-avó. Nessa tarde, quando apanhei o meu irmão sozinho, confirmei as minhas suspeitas. Um bocadinho de mim, a magia do Natal, morreu ali.

Mas, o Natal ainda levaria mais golpes ao longo dos anos. A minha família é grande, pelo menos do lado da minha mãe... Mas, o meu Natal sempre foi passado com a parte da família do lado do meu pai por razões que não interessam analisar aqui e agora. De qualquer maneira, eramos os 8 que referi há pouco. Os meus pais, o meu irmão, os meus avós, a minha tia e a minha tia-avó. O almoço do 25 tinha sempre mais 2 convidados primos da minha avó. Mas eramos poucos. As únicas criaças... eu e o meu irmão. Há 9 natais foi o último da minha tia. A minha tia nunca casou nem teve filhos. Eramos os filhos dela também. Foi duro. A saúde dos meus avós rapidamente se deteriorou a partir daí. Ainda duraram uns anos mas já com muita dificuldade. O Natal é quanto mais se sente isso. Assim, neste momento somos 5 que são mais 3. A minha tia-avó escontra-se actualmente num lar de 3ª idade e já não está em condições para vir lá a casa fazer as refeições. O meu irmão, tem de dividir-se entre a nossa casa e a da namorada. Acaba por ser quase como um fim de semana daqueles em que volto a casa.

Mas posso dizer que ainda tenho esperança que o Natal ainda volte a ser Natal. Espero que quando houver putos estes funcionem como um catalizador para que volte a ser uma época especial. (espero que o meu irmão perceba isto rápido)

A great Christmas to you all!

9 comentários:

Rita Moura disse...

Também já és crescidinho o suficiente para ter uma criancinha, podes sempre dar um(a) sobrinho(a) ao teu irmão!

Icon disse...

Ele é 5 anos mais velho que eu!
Ele vai primeiro :)

Rita Moura disse...

A ordem natural das coisas já não é o que era! Podia ser que ele a ver-te com um puto nos braços se entusiasmasse lol : ) ***

Icon disse...

Rita: nunca se sabe mas, ele está mais adiantado... tem namorada, já mora com ela, por isso...

Kikas disse...

posso fazer do penúltimo parágrafo meu também? é que percebo-te tão bem..

Icon disse...

kikas: claro que podes! tu podes tudo o que tu quiseres...

Abobrinha disse...

O Natal pode ser muito bom, mas quando não se está a 100% consegue ser uma colecção de stresses e tristezas. Precisamente por comparação com prévios momentos felizes e por não conseguirmos ser capazes de nos abstrairmos do momento que é. Porque tudo pára.

Mas pronto, há sempre o dia 26... e esse também está mais próximo!

Elma disse...

Podem sempre mandar as prendas para o meu lado... Eu sou uma criança ainda. Nao sei se reencontraras o espirito natalicio, mas podes tentar... :P

Icon disse...

Abobrinha: nem chega a ser triste... é apenas um dia como os outros!!

Elma: não perdes uma!!! mas podes ir tirando o cavalinho da chuva! :p